Paróquia

Comunidade Santa Rosa de Lima

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Uma opção humanizadora – Pe. Roberto Rubens da Silva

A Opção preferencial pelos pobres não pode ser uma ideia, uma filosofia, uma ideologia ou qualquer que seja a compreensão da razão. Não se trata de ciências que vê o sujeito de forma fragmentada. Num tempo fragmentado sem compromisso, sem alteridade, sem resiliência e sem coração colhemos frutos amargos do desamparo, do abandono, da indiferença e o descompromisso com os que mais sofrem. “O tempo não para”, assim como, não para de crescer o número de pessoas em extrema pobreza.

Desde do Vaticano II em 1965, infinitas propostas foram lançadas nos livros do magistério da Igreja, nas conferências Episcopais e em projetos das Igrejas particulares. As guerra, as catástrofes naturais, a falta de política públicas e o compromisso humanizador faz crescer, cada vez mais, o número de vulneráveis. Se investissem os recursos aplicados em fabricação e compra de armas em causas caritativas, não acabaria com a pobreza, porque o coração do homem é perverso sem conversão, mas contribuiria, substancialmente, com a transformação de vidas. Um exemplo é o gasto exorbitante com armamentos investidos por causa da guerra.

A arquidiocese de Belo Horizonte, após o processo de escuta da I Assembleia do Povo de Deus, com olhar fixo nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 1999 a 2002 – DGAE, concluiu que algumas propostas não chegaram a ser concretizadas. Elas foram retomadas na II Assembleia com aspectos de transformação e realização coordenadas. Sobretudo, uma espiritualidade mais encarnada, com maior compromisso com as questões sociais. “A opção da Igreja deve ser a mesma opção de Cristo: uma opção preferencial pelos pobres no intuito de sua integral libertação”.1

A Igreja particular, através da ação do Espirito, reconheceu que era necessário fazer mais, transformando vidas e realidades. Nasce o Vicariato Episcopal para ação social e política. Diante de um contexto desafiador: as imigrações, os avanços tecnológicos, a virada do milênio, o desequilíbrio da natureza etc. Sendo assim, a Igreja convoca todos os cristãos a sair da apatia das ideias e colocar em prática o Evangelho vivo. Pois, o serviço autêntico de quem é chamado por Deus só é genuíno quando se serve e se doa na transformação da vida dos pobres como Jesus. A Sagrada Escritura revela-nos os preferidos de Jesus, quem deve ser os preferidos da Igreja.

Inserido na história e fundamentado na pedagogia de Jesus Cristo, o Vicariato segue a metodologia missionária do Mestre. Para cumprir com exemplaridade e ética, estruturou o processo de ajuda humanitária aos vulneráveis através da Rede de Articulação da Solidariedade – REARTSOL. Organismo que sustenta a ação social e política na Arquidiocese no amparo aos que mais sofrem, edifica os planejamentos de ação humanitária emergencial, apoia projetos sociais nas paroquias e movimentos, realiza diversas formações e capacitação de agentes comunitários, articula e apoia o Núcleo de acolhida e articulação da solidariedade paroquial – NAASP’s. Interligados em rede caminham na “periferia existencial”, como Igreja que irradia a Boa Nova do Evangelho.  O anúncio da Boa Nova não é uma ideia, mas a Palavra que muda a realidade.

A garantia bonita e exigente de dar dignidade aos vulnerais é tarefa de todo cristão e instituições comprometidas com o bem social. Assim, nos lembra a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, no documento de Aparecida de 2007: “A opção preferencial pelos pobres é uma peculiaridade que marca a fisionomia da Igreja latino-americana e caribenha. Disse o Papa João Paulo II: Converter-se ao Evangelho, para o povo cristão que vive na América, significa revisar todos os ambientes e dimensões de sua vida, especialmente tudo o que pertence à ordem social e à obtenção do bem comum”[1]

Sob está luz da conferência, o VESPAM com passos firmes e comprometido avança no serviço aos mais pobres e vulneráveis através das Pastorais Sociais. É inquestionável o enfraquecimento das políticas sociais que se converge para o individualismo.  A união das instituições comprometidas com os vulneráveis questionam estado e municípios para comprometer, através do setor político – o Núcleo de Estudo Sócio Politico (NESP), composto por professores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e representantes do VEASPAM, monitorado pelo poder público,  com o objetivo de robustecer os diversos aspectos dos direitos humanos que venham transformar as realidades  e pessoas prejudicadas, exigindo políticas públicas que transformam vidas e dão dignidade a pessoas humana.

Dentro desta ampla preocupação com a dignidade da pessoa humana, a Igreja particular de Belo Horizonte, mantem o VEASPAM sob os aspectos jurídicos, através da PROVIDENS e a manutenção pelo fundo diocesano de solidariedade. A Igreja e o mundo, os cristãos e a sociedade, podem ouvir a voz de Deus. Precisamos enfrenta a violência institucionalizada ou explicita que geram morte. Precisamos ser profetas da verdade e da vida, do amor e da paz fazendo da nossa voz a voz daqueles que sofrem. Precisamos reproduzir incansavelmente a imagem do Bom Samaritano. Daquele que como Cristo, toca na carne ferida de quem sofre, alivia suas dores, dar de comer, dar hospedagem e dignidade de vida. Esta é a imagem que identifica o Vicariato Episcopal para Ação Social Política e Ambiental da Arquidiocese de Belo Horizonte. Não nos cansemos de fazer o bem, de cuidar da dignidade humana em todas as etapas da vida e da casa comum. É do coração de Jesus que vem a nossa força.

Pe. Roberto Rubens da Silva

Vigário Episcopal do setor Social.

 

Bibliografia:

– Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil – Doc. 61.

– Idem – Doc. 87

– Idem – Doc.109.

– Documento de Aparecida – DA

– Guia da 3ª Assembleia do Povo de Deus.

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[1] Documento de Aparecida: Texto Conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Ameircano. 5ª edição, 2008. Ed. Paulus, pág 177, nº391.

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