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Após o fim do projeto “Canto da Rua”, o acolhimento às pessoas em vulnerabilidade social completa um mês na Arquidiocese de Belo Horizonte

Por Anderson Pereira

Nesta semana, completa-se um mês que os atendimentos à população em situação de rua de Belo Horizonte voltaram a ser realizados no Vicariato Episcopal para Ação Social, Política e Ambiental, no bairro Lagoinha (Rua Além Paraíba, 208), por meio da  Pastoral de Rua e Acolhida Solidária Dom Luciano Mendes de Almeida.

Desde o início da pandemia, esse acolhimento era feito na Serraria Souza Pinto, região central da capital. O espaço público oferecia, com o apoio do governo estadual, municipal e setores econômicos, diversas ações como, por exemplo, áreas de higienização, lanche e lavagem de roupas.

Segundo o Instrutor Social da Igreja, Alan Silva, esse retorno dos atendimentos à Arquidiocese acontece após a ampliação da vacinação contra o Covid-19 e o término do projeto “Canto da Rua”.

Dados oficiais revelam que, até o momento, 60,5% dos moradores da capital com 12 anos ou mais receberam a dose única ou as duas doses da vacina contra o coronavírus. No Brasil, esse percentual chega a 55% das pessoas vacinadas. Até o momento, a pandemia já matou quase 610 mil brasileiros. As autoridades sanitárias lembram que a vacina não dispensa a adoção de medidas de proteção.

Há sete anos trabalhando com a população em situação de rua da capital, Santos lembra que a pandemia de Covid-19 contribuiu para agravar a pobreza. Estudos revelam que cerca de 10 mil pessoas vivem atualmente nas ruas de Belo Horizonte.

“Antes da pandemia, a gente atendida, quase sempre, as mesmas pessoas em busca de auxílio. Hoje, percebemos pessoas diferentes, inclusive jovens, migrantes e imigrantes, em busca de ajuda. O número de mulheres e desempregados nas ruas também aumentou”, conta Santos.

Na Arquidiocese, graças ao empenho das pessoas envolvidas, esse atendimento aos mais pobres é realizado três vezes por semana (segunda, quarta e sexta). Cada um(a) é atendido(a) de acordo com as suas necessidades físicas, psicológicas e sociais, sempre observando os protocolos sanitários contra a Covid-19.

Flores

Na sexta-feira (05), o músico Flaviano Aguiar, de 44 anos, esteve na Arquidiocese em busca de roupas. Antes da pandemia, Flávio Aguiar – seu nome artístico – tocava nos barzinhos da capital.

Com a pandemia, as gorjetas diminuíram e as contas acumularam-se. “Antes, eu morava numa pensão e hoje estou num albergue”, conta Aguiar, que é fã de MPB e Rock.

Qual o canto da rua, Aguiar? “A música ‘Para Não Dizer Que Não Falei Das Flores’, de Geraldo Vandré”, responde ele, sem titubear. “A canção fala de superação e espero me reerguer em breve”, explica o músico.

A desempregada Claudia Ciraco, de 41 anos, também esteve, na sexta-feira, no Vicariato Social. Há dois anos, ela deixou a Bahia e veio para Minas Gerais em busca de uma vida melhor. Sem oportunidades, hoje ela sobrevive nas ruas de Belo Horizonte separando material reciclável.

Já o porteiro Sérgio Soares, de 55 anos, está em Belo Horizonte há sete dias. Desempregado, ele deixou a cidade de Juiz de Fora, no interior do Estado, em busca de trabalho. Sem conseguir uma oportunidade, ele também sobrevive separando material reciclável.

“Esse acolhimento oferecido pela Igreja é de grande importância. Nos sentimos valorizados e encorajados a superar esses momentos de dificuldades”, diz ele.

Atualmente, a Arquidiocese da capital necessita de doações de roupas masculinas, fraldas geriátricas e calçados. Quem puder doar, basta procurar o Vicariato Episcopal para Ação Social, Política e Ambiental de segunda a sexta-feira de 8h às 16h.