Os desafios da Igreja
Por Anderson Pereira
“Missão e Ação Pastoral frente aos desafios sociais”. Este foi o tema da Live promovida em outubro pelo Setor Social, Político e Ambiental da Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade (RENSP). Participaram do encontro, Frei Adílson (mediador), Dom Geovane Luís da Silva e o Vigário Episcopal para Ação Social, padre Júlio César Gonçalves Amaral.
Dom Geovane refletiu sobre as dificuldades impostas pela pandemia à Igreja. “Não digamos que hoje é mais difícil evangelizar. É diferente”, disse ele.
O sacerdote chamou a atenção para a importância da prática litúrgica (espiritualidade) e de ação social (missão) caminharem juntas.
“Missão, evangelização, catequese e liturgia são realidades inseparáveis. Uma comunidade que privilegia um só desses elementos, ela está, de certa forma, mutilando o retrato da Igreja. Priorizar um e esquecer os demais, compromete a sua ação social na sociedade e resulta num mosaico incompleto do rosto de Cristo”, disse Dom Geovane.
Citando o Papa Francisco, o religioso lembrou que o desafio atual da Igreja é “fazer essa transição do rito litúrgico para a ação”.
“Somos convidados a ser uma Igreja em ‘saída’, ou seja, uma Igreja que tenha a coragem de caminhar na comunhão. Essa é uma atitude profética do Papa Francisco. Ele quer que a Igreja retorne à fonte. E qual é a fonte? O Concílio Vaticano II. Uma Igreja sinodal, onde haja a participação de todos”, afirmou Dom Geovane.
Já o Vigário Episcopal para Ação Social, padre Júlio César Gonçalves Amaral, elencou três principais desafios para a Igreja: Fazer a passagem de uma Igreja de “conservação” para uma Igreja em “saída”; articular a caridade cristã à sua dimensão assistencial e transformadora e fazer crescer e ampliar a rede de solidariedade.
“Jesus enfrentou as estruturas injustas da sua sociedade, os poderes políticos e religiosos da sua época. Por isso, ele foi julgado e condenado à morte. Jesus não morreu por um acaso, mas pelo jeito que viveu”, lembrou o Padre Amaral.
O sacerdote afirmou que “precisamos fazer esse caminho e não ficar só no assistencial, no assistencialismo. O desafio do nosso compromisso é o de transformar as estruturas injustas da nossa sociedade. Não é só servir aos pobres, mas perguntar por que eles são pobres? E ajudá-los a sair dessa situação opressora e injusta”, afirmou o padre.
Ao falar da importância da solidariedade, Padre Júlio lembrou que “sozinhos não conseguimos fazer quase nada ou muito pouco”.
“Há força somente quando atuamos em rede. Não somente nas Igrejas, mas nas empresas e em outras instituições também. Vivemos conectados. Isso nos fortalece, bem como os nossos recursos também. O desafio é fazer avançar essa rede de solidariedade”.
Pensamento do Papa Francisco sobre a solidariedade
“A palavra solidariedade significa muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade, é muito mais, supõe a criação de uma nova mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns”.