Paróquia

Comunidade Santa Rosa de Lima

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Campanha da Fraternidade é gesto concreto de fé - Por: Pe. Roberto Rubens da Silva

A campanha da fraternidade nasceu em 1962, com o olhar e o coração para uma pequena realidade concreta, que gritava ao clamor de Deus. Ela ajuda-nos, neste tempo favorável, viver a prática da esmola, que é uma das práticas da fé cristã e de outras religiões. A fé move o coração humano em direção a Deus e ao próximo. Em direção a Deus é a participação do mistério salvífico oferecido por Nosso Senhor Jesus Cristo e ao próximo como expressão do amor. Ela realiza-se através de ações de gesto simples, pequenos e de profundo amor que transformam vidas e realidades, sobretudo, o cuidado com a casa comum. Os santos nos revelam que a fraternidade nos transporta ao encontro do outro, abri os nossos olhos para ver a realidade humana ferida, escarnecida pela falta de amor ao próximo. Os autores sagrados e os santos traduzem a fraternidade em gesto de caridade, misericórdia
e de compaixão em seu sentido mais genuíno.

O autor sagrado, São Mateus, nos ajuda compreender esta tradução da fraternidade em gesto concreto a pedido do Senhor Jesus, em um momento mais crucial da ação dos discípulos, no último e grande ensinamento: “Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes”. Mt. 25,40. Mínimos, menores ou pequeninos são aqueles que como crianças se humilham. Irmãos são aqueles que se encontram próximos e com os quais nos identifica, são aqueles como ele: faminto, excluído, nu, doentes, encarcerados. Se estes são os que são Mateus entendia como discípulos; aqueles de relação familiar e, ainda, os que creem em Jesus Cristo, é necessário compreender e olhar a santa palavra conforme o espírito do Evangelho, ver em que cada pequenino da terra o rosto do Senhor. Ainda mais, todos os que se encontram em situações de vulnerabilidades, de sofrimento, de abandono, o Senhor Jesus, se identificou com eles e com os
sem casa: “não havia lugar para Ele na hospedaria” Lc. 2,7; “As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos: mas o filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Lc. 9,58.

Os santos nos mostram que a fraternidade é uma experiência sacramental. Os sacramentais são objetos, ações e orações realizadas pelos cristãos. São João Crisóstomo em suas homilias, exorta os fiéis a reconhecerem Cristo nos necessitados, entedia a Eucaristia como expressão sacramental da caridade e da justiça. A providência divina suscitou na vida do “Anjo Bom da Bahia”, assim conhecida, Irmã Dulce, que em 2019 foi canoniza, pelo Papa Francisco, a traduzir a vida em gesto de amor pelos pequeninos. O cuidado com os irmãos doentes e pobres, Ela praticou a fraternidade como gesto sacramental. Assim, também, a Cidade de Calcutá, na Índia, foi agraciada pela presença de uma mulher: simples, sensível as feridas abertas dos órfãos, dos marginalizados e os das favelas. Santa

Tereza de Calcutá fez da fraternidade uma ação sacramental. Construiu escolas, hospitais e centro de acolhimento para os vulneráveis: para os sem casa. Podemos lembrar, também, do Jovem Santo, Pier Giorgio Frassati que durante seu tempo livre, tornou um defensor dos pobres e marginalizados. Ele dedicava a ajudar as famílias necessitadas com recursos materiais e emocionais.

A Campanha da Fraternidade nos coloca em comunhão com Deus e com o próximo. A fraternidade é o testemunho visceral da caridade. É o gesto mais eloquente no mundo de hoje. Nele experimentamos o encontro do criador que age através da criatura, o ser humano, mesmo sendo um ser limitado e fraco. O Papa Francisco nos recorda que a parábola do Bom Samaritano é uma história que se repete nos dias de hoje em sua exortação Fratelli Tutti. Pessoas importantes, sabias e cheias de fé passam pela estrada e não veem o ferido quase morto. Bem sabemos, que o maior amor se manifesta na maior simplicidade. A fraternidade nos reveste do amor de Deus que se traduz no amor ao próximo que está caído a beira do caminho. Não é somente aquele que vem ao nosso encontro, sobretudo aqueles que
vamos ao seu encontro. Faça da fraternidade um gesto concreto de amor, a sua doação nas celebrações do Domingo de Ramos transformará vidas.

Pe. Roberto Rubens da Silva
Vigário Episcopal para Ação Social

 

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